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TIny Desk Brasil

Com produção dos irmãos Amabis, versão do programa de shows acústicos da rádio pública americana já recebeu Liniker, Alceu Valença, João Gomes, Duquesa, Gloria Groove e outros

por_Nathália Pandeló do_Rio de Janeiro

Com produção dos irmãos Amabis, versão do programa de shows acústicos da rádio pública americana já recebeu Liniker, Alceu Valença, João Gomes, Duquesa, Gloria Groove e outros

por_Nathália Pandeló do_Rio de Janeiro

Quando um artista chega ao estúdio do Tiny Desk Brasil, não encontra a estrutura de um grande palco nem a lógica de uma gravação tradicional, feita em camadas e com espaço para ajustes posteriores. O formato criado nos EUA pela rádio pública NPR, e que se tornou um sucesso no mercado, parte de um caminho oposto: ali só entram voz, instrumentos, respiração, presença e pequenos acasos musicais, tudo junto e de bate-pronto.

fotos_Alexandre Orion

Mariana Amabis

Na versão brasileira, uma parte vital desse trabalho passa pela produtora Amabis. Formada pelos irmãos Gui, Rica e Mariana Amabis, a empresa cuida da produção executiva (Mariana a assina ao lado de Bárbara Teixeira e Lívia Barros), da curadoria (em parceria com a Anonymous Content Brazil, sob o crivo da NPR) e da supervisão musical.

Rica Amabis

Com novos episódios publicados no canal da Tiny Desk Brasil no YouTube toda terça, às 11h, o projeto já recebeu nomes variadíssimos, e de diferentes gerações: de João Gomes, Liniker, Duquesa e Gloria Groove a Gilberto Gil, Alceu Valença, Arnaldo Antunes, Sandra de Sá e Ney Matogrosso, passando por Tulipa Ruiz, Metá Metá, Tim Bernardes, Manoel e Felipe Cordeiro e muitos outros.

O papel dos irmãos não é transformar cada apresentação em uma leitura autoral da Amabis ou substituir as escolhas dos artistas. Pelo contrário. As respostas de Gui, Rica e Mariana apontam para uma atuação de bastidor: apresentar o formato, explicar suas limitações, acompanhar ensaios, cuidar das condições técnicas e ajudar cada convidado a encontrar uma forma própria de existir dentro das regras do programa.

EXALTAÇÃO ÀS DIFERENÇAS

O artistas que participam nos escolhem, se abrindo para um novo desafio musical e colocando muita energia na construção dessas apresentações.

Mariana Amabis

Gui e Rica, compositores e produtores musicais, chegam ao projeto com uma trajetória ligada à criação, à produção de discos e à música para audiovisual. Já Mariana conduz a frente de supervisão musical e produção executiva a partir de uma experiência construída entre televisão, pesquisa, curadoria e negociação musical. Juntos, os três ajudam a sustentar uma pergunta que caracteriza o Tiny Desk Brasil: como fazer a música brasileira soar íntima, diversa e verdadeira em poucos minutos?

Essa definição ajuda a entender por que o projeto não pode ser visto meramente como uma vitrine de performances. O Tiny Desk tem uma gramática própria. O artista precisa caber em um ambiente menor, sem depender do impacto de um palco grande, de uma mixagem cheia de camadas ou da energia de uma plateia numerosa. Ao mesmo tempo, precisa seguir reconhecível para quem já acompanha sua obra.

“A gente busca contemplar amplamente os recortes de diversidade, equilibrando a pluralidade de gêneros musicais com artistas a serem descobertos pelo público e grandes nomes, que podem ser redescobertos ou apresentarem novas leituras de seu legado. Sinto que não é uma escolha de mão única, os artistas que participam nos escolhem, se abrindo para um novo desafio musical e colocando muita energia na construção dessas apresentações”, avalia Mariana.

Cabe à versão brasileira a difícil missão de carregar a identidade do formato, mas também imprimir uma marca própria. Mariana considera que a adaptação local é parte essencial da força do projeto.

“A NPR vibra com a autenticidade que estamos imprimindo no projeto. Eles criaram o segredo do formato, são responsáveis por esse grande gol. Agora cabe a cada país imprimir a sua alma”, ela reconhece.

VOZ ATIVA DO ARTISTA

Gui Amabis

Para artistas habituados a shows com estrutura técnica robusta, o Tiny altera a a maneira de cantar, tocar e se relacionar com a banda.

“A decisão mais importante a ser tomada decorre do fato de o programa não ter retorno, não ter a voz da cantora/cantor amplificada e de não poder ter nada disparado eletronicamente que defina um andamento. Tendo esse cenário, a/o artista e a banda têm que achar um equilíbrio e, às vezes, uma nova forma de tocar para que a apresentação funcione”, descreve Rica.

Ele conta que o processo passa por reuniões para definir quais artistas cabem no formato, conversas com as atrações para explicar as condições técnicas, acompanhamento de ensaios e, depois, a gravação. Rica afirma que o formato, justamente por colocar todos sob as mesmas condições, revela a personalidade de quem se apresenta.

“(Os artistas) procuram maneiras diferentes de achar o melhor som para a sua apresentação, fazendo com que cada show tenha a sua cara”, ele analisa.

Gui Amabis reforça que a produção da Amabis no Tiny Desk Brasil é mais técnica do que estética. São os artistas que chegam com repertório e soluções musicais. A equipe, então, ajuda a realizar essas ideias dentro do formato.

A presença da Amabis no Tiny Desk Brasil também se conecta ao histórico da produtora no audiovisual. Desde 2018, os irmãos atuam em projetos para filmes, séries, televisão e multimídia. O portfólio inclui trabalhos como “Homem com H”, cinebiografia de Ney Matogrosso dirigida por Esmir Filho, e “Tremembé”, série da Amazon com direção de Vera Egito.

Na supervisão musical para audiovisual, a função costuma envolver leitura de roteiro, criação de universo sonoro, negociação de direitos, escolha de canções, produção de releituras e desenvolvimento de músicas originais. Mariana, membro fundadora da Guild of Music Supervisors Brasil, lidera essa frente na Amabis e já passou por projetos como “Manhãs de Setembro”, “Amar é para os Fortes”, “Dias Perfeitos”, “Dois Tempos” e “Todxs Nós”.

Essa atuação dialoga com a trajetória dele como produtor, compositor, letrista e cantor. Desde 2008, Gui lançou cinco álbuns autorais, produziu ou coproduziu discos de outros artistas e trabalhou em trilhas originais ou músicas adicionais para cinema, TV e streaming. Rica também tem longa trajetória como compositor e produtor musical, com trabalhos em séries, filmes, documentários e discos de artistas brasileiros.

“Para a gente, que produz, esses erros, esse ambiente, são parte da nossa vida dentro de um estúdio”, diz Gui. “Sinto que o ouvinte atual se acostumou com a ‘perfeição’. Cabe a nós apresentarmos a realidade humana, crua. Como era antes.”

Os três irmãos juntos
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