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CINEMA:

COMO FUNCIONA

O SEGMENTO

Neste mês em que são distribuídos os valores cobrados das salas de exibição, entenda um pouco mais sobre como está o mercado de trilhas

do_Rio de Janeiro

Num momento ascendente da produção cinematográfica brasileira, o mercado de trilhas sonoras originais está igualmente aquecido. Neste mês de junho em que ocorre a distribuição dos valores do segmento Cinema, explicamos um pouco como funciona a arrecadação — e como você, compositor, pode tentar emplacar suas obras em produções audiovisuais.

Para começar, é preciso deixar claro que, dentro do sistema Ecad, o segmento de arrecadação e distribuição chamado Cinema não abarca os usos de trilhas em filmes do streaming, por exemplo. Se refere especificamente à execução pública das trilhas sonoras dos filmes nas salas físicas. E a cobrança feita aos donos desses espaços de exibição utiliza dois critérios: ou a sala paga 2,5% da sua renda bruta mensal ou, nos casos em que não se aplica o critério de bilheteria (cinemas que não cobram entrada, por exemplo, entre várias outras situações), usa-se 0,27 UDA (unidade do direito autoral) por metro quadrado do espaço de exibição. Neste ano de 2026, vale lembrar, a UDA está fixada em R$ 107,31.

Para saber exatamente como distribuir — e a quem — os valores arrecadados, o Ecad e as associações precisam ter uma lista das músicas tocadas nos cinemas. E é aí que entra um importante documento: o cue-sheet. Trata-se uma folha na qual o produtor do filme deve fazer constar todas as informações sobre a música usada, desde o seu código ISRC (o código de identificação da gravação) até as informações sobre o autor, os intérpretes e outros titulares e, não menos importante, o uso que está sendo dado àquela faixa.

É a trilha do personagem principal? Ou talvez esteja na abertura do filme? É uma música incidental de fundo? Quantos segundos de utilização ela tem? Tudo isso conta na hora de fazer os cálculos.

A título de curiosidade, o cue-sheet não é usado só para o cinema. Na TV ou na produção de uma série original para o streaming, o produtor responsável pela produção audiovisual também é obrigado a preencher o papel contando direitinho como está sendo feito o uso da música, porque isso tem impacto direto no cálculo de quanto vai custar esse uso.

Neste mês de junho, a Confederação das Sociedades de Autores e Compositores (Cisac) lançou um novo padrão técnico para trocar informações sobre os usos de músicas em audiovisual amparado num modelo de cue-sheet moderno e bem completo. A expectativa é que, com isso, todo o processo de apuração das músicas usadas e de distribuição dos respectivos valores aos titulares de direitos seja amplamente melhorado.

DISTRIBUIÇÃO É DIRETA

Quando a música está devidamente informada e identificada no cue-sheet, é possível realizar a distribuição direta dos valores, ou seja, contemplando exatamente os usos que foram feitos. Os pagamentos de Cinema, que incluem direitos autorais e conexos, são em setembro, dezembro, março e junho.

Tudo isso é informação útil para quem já teve sua música emplacada num filme. Mas, e para poder chegar lá?

Falamos com Fabio Stamato, compositor de música original baseado em São Paulo, com experiência em longas (“Os Parças” 1 e 2) e curtas-metragens, publicidade e especialização em audiovisual para crianças (“Peixonauta”, “Senninha”, “Turma da Mônica”). Para ele, o momento é bom, mas é preciso que o candidato a criador de trilha original saiba não só compor: também é preciso saber fazer contatos e vender seu peixe.

“O desafio é ampliar as oportunidades para mais pessoas. Do ponto de vista de alguém que tem um certo nome no mercado e fez seu caminho, eu recomendo alguns passos aos compositores", aconselhou Stamato.

O primeiro é procurar criar a rede mais ampla que puder, como ele descreveu, “sem se prender ao sonho de fazer trilha exclusivamente para longa-metragem”:

“Invista em desenho animado, em curta, em publicidade, em videogames, no que for. As chances e ofertas de trabalho são maiores. Outra coisa: procure editar a própria obra, entenda de cue-sheet e de outras burocracias, vá atrás dos seus direitos. Tive a grande sorte de ser chamado para fazer ‘Os Parças’, uma bilheteria absurda. Ganho direito até hoje do Telecine (produtora do filme).”

O CAMINHO DAS EDITORAS

Para quem já tem música gravada e gostaria de vê-las nas trilhas dos audiovisuais, um bom caminho é se associar a uma editora ou distribuidora que trabalha ativamente em processos de sincronização de obras em filmes, séries, novelas etc. Esse tipo de meio de campo é cada vez mais comum e estruturado, como explicou à UBC Flavia Cesar, diretora estratégica, comercial e de sincronização da Warner Chappell Brasil.

"O mercado audiovisual brasileiro cresceu muito de um tempo para cá, então vem (sendo feito) um trabalho educacional por parte das editoras e gravadoras de aproximação com os produtores audiovisuais. As informações que a gente recebe, hoje (da produção do filme), a gente não recebia no passado. Todo mundo tinha medo de mandar a sinopse do filme, a descrição de uma cena e o orçamento do filme. Agora, a gente consegue ter as informações de que os herdeiros e autores precisam para ver se querem aceitar a proposta. Está tudo mais fluido.”

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